quinta-feira, 5 de setembro de 2013
"Ora, se você quiser se divertir invente as suas próprias canções"
Assim como você mesma disse: - muitos outros amores estão por vir, e nos esqueceremos de gostos, falas e marcas!
É claro que não foram amores iguais aquele que tínhamos cultivado em Novembro de 2009, me lembro até o dia, 19, com o pedido realizado mais ou menos às 20:00 de uma quinta-feira, véspera de feriado (primavera). Lembro-me que antes de tudo ficamos meses e meses trocando olhares no pátio, na porta, nos corredores e nas calçadas próximas ao CAMP. Percebia você cutucando as suas amigas e fazendo com que as mesmas também direcionassem os olhares para mim, tentava fazer você pensar que era impressão sua os olhares que eu retribuía, e mesmo parecendo óbvio preferia não acreditar em definitivo na atração que tinha pelo meu ser esquisito, de calça agarrada, camiseta surrada, aparelho nos dentes e cabeça raspada. Era muito diferente de você, que vivia sorrindo, ria de tudo que os seus amigos diziam e eu sempre de cara fechada, mas com uma euforia muito grande ao te pegar sempre me olhando de lado, as vezes até levantava o pescoço.
Até que em um dia de Novembro, eu a vejo com uma amiga na hora da saída do Camp, eu tinha o costume de fazer aquele caminho para chegar no Terminal Lapa e tomar o ônibus que me deixava na porta de casa e eu estranhei você e a sua amiga estarem fazendo aquele mesmo caminho, por mais que fôssemos para a mesma direção, ouvi o pronunciamento do meu nome feito por um garoto que era da mesma turma que eu, todavia não me importei muito e fui para o Terminal da Lapa. No dia seguinte, sexta-feira, você e a sua amiga vieram conversar comigo, pedindo desculpas e dizendo que não estavam me seguindo caso tivesse sido a minha impressão, mas é claro que naquela justificativa vocês se entregaram, até porque em momento algum eu pensei que estivessem me seguido apenas estranhei o caminho que estavam fazendo.
Na segunda-feira aquele mesmo garoto que pronunciou o meu nome na quinta-feira, veio falar comigo a seu respeito, e senti depois de muito tempo a eudaimonia (em consequência da reciprocidade), a partir disto fiz de tudo para me manter próximo, pedi para que o mesmo anotasse o seu msn (de maneira que não percebesse que era eu quem tivesse pedido) e a adicionei, e tivemos uma longa conversa. Falamos sobre literatura, sobre música, sobre Legião Urbana, sobre sentimentos do mundo e sobre "escrever". No dia seguinte conversamos cara a cara pela primeira vez... era uma terça-feira, foi muito engraçada aquela conversa, talvez eu tenha sido um pouco indelicado ao imitá-la pedindo o meu "cadeeerno". Quando foi quarta-feira nos encontramos no mesmo horário, na saída do Camp e desta vez eu resolvi te acompanhar até o seu ponto de ônibus, como de costume eu gosto de ficar conversando em pontos de ônibus e certamente a fiz perder vários, cutucando a sua barriga, elogiando o seu cabelo e falando algumas bobagens... até que enfim eu te arranco um abraço, não falávamos nada, apenas ficávamos abraçados, eu pelo menos estava refletindo sobre as vezes que nos olhávamos de longe, sobre as vezes que eu achava tolice esse papo de amor e que comigo parecia ser impossível tal coisa estar acontecendo, afinal, quem se interessaria por alguém tão estranho? mas, no fundo eu sabia que em outra proporção você também era estranha e tinha algo de diferente para despertar a minha atenção em meio a tantas outras garotas.
Quinta-feira tornamos a nos encontrar, no mesmo horário, porém decidimos mudar o nosso rumo e fomos ao Shopping da Lapa, começamos a perambular por aquele lugar repetitivo e ostentador de coisas que não poderíamos comprar, é claro que a minha atenção não era aquela e sim no sentimento de estar fazendo com um alguém que me parecia ser tão distante(mas, ao mesmo tempo tão próximo), nos sentamos e conversamos. Um novo abraço aconteceu, desta vez acompanhado do entrelaçamento de nossos dedos e da aproximação das bochechas, eram palavras soltas e talvez até bobas, nunca o bobo foi tão charmoso e expressivo, eram tão bobas quanto o nosso medo de ter-nos aproximado anteriormente, mas o medo tinha outro nome e este se chamava curiosidade pelo outro.
Nos levantamos do banco e fomos para fora do Shopping, ficamos numa beirada abraçados e eu encostado, dois conhecidos passaram e nos elogiaram: - Que lindos! Até que enfim!
Decidi falar sobre todo aquele sentimento de observá-la a distância, dizendo que tinha medo, do despertar do meu interesse, das minhas perguntas sobre os seus gostos e até como poderia ser a sua casa. Inicialmente tive temor de falar, talvez não saberia como me expressar, só que o seu olhar seguro e satisfeito me fez expressar sem gaguejar, e ao dizer você simplesmente retribuiu as palavras num ato: o beijo. Foi um beijo desajeitado, há muito tempo não beijava ninguém, mas até as coisas desajeitadas são bonitas.
Querida, talvez não valha tanto a pena falar sobre o que aconteceu após isso, foram felicitações e infelicitações, mas quem dera eu se pudesse saber do gosto que ainda sinto daqueles dias de sol. Hoje eu sou uma pessoa só, e você muito bem comprometida e aparentemente feliz, os nossos rumos foram seguidos, você foi para a Psicologia e eu para a Filosofia, você foi para o teatro e eu prossegui com a poesia. Só que eu nunca pude permitir que nada fosse melhor do que aquilo, talvez por não ter a mesma inocência de antes, por não acreditar tanto assim em anjos e santos, só que não tem ideia do quão gostoso é me lembrar de tudo aquilo, de como é nostálgico ouvir as músicas que ouvia na época: Marcianos Invadem a Terra, 1º de Julho, Exagerado, Quando eu estiver cantando. Toda a minha formação juvenil eu devo a você e ao seu jeito natural e artístico de ser. Pensar tem sido lembrar de um Mundo Perfeito, Perfeita foi a inocência dos nossos primeiros dias juntos que jamais serão esquecidos.
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